Extração de investimento

A 13a rodada de leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizada na quarta-feira 7, não empolgou as grandes empresas do setor. Sem a presença da gigante Petrobras, pela primeira vez em 16 anos, e de nomes de peso do mercado internacional, como ExxonMobil e Shell, quem se destacou durante o pregão no luxuoso Hotel Windsor Barra, no Rio de Janeiro, foram as pequenas e médias empresas. Dos 266 blocos colocados à venda (nenhum na área do pré-sal), apenas 37 foram arrematados, gerando uma arrecadação de R$ 121,1 milhões, longe dos R$ 2 bilhões previstos pelo Ministério de Minas e Energia.

"Esperávamos participação maior de estrangeiras em águas profundas", disse Magda Chambriard, diretora-geral da ANP. Para os analistas ouvidos pela DINHEIRO, no entanto, esse desempenho era esperado. "O cenário global não está fácil e essa rodada não estava muito atrativa", diz José de Sá, líder de Petróleo e Gás da Bain & Company. O pior resultado em áreas licitadas desde 2002, quando foram negociados apenas 21 blocos, gerou um alerta aos empresários do setor, que sofre com a queda contínua no preço do barril de petróleo e com o freio de arrumação da Petrobras.

Na semana passada, a empresa anunciou a redução de US$ 11 bilhões nos investimentos previstos para 2015 e 2016, o que irá gerar impacto na cadeia de fornecedores. Cálculos da consultoria GO Associados, feitos a pedido da DINHEIRO, mostram que a redução de investimentos da Petrobras podem causar um impacto negativo de 3,3% no PIB, num intervalo de 12 meses. Cientes da gravidade da situação, representantes de 23 entidades do setor resolveram arregaçar as mangas em busca de medidas que ajudem a retomar a competitividade do setor no Brasil.

Intitulada "Agenda Mínima para o Setor de Petróleo", a iniciativa propõe um maior incentivo à inovação e uma periodicidade nos leilões de concessões, para aumentar a credibilidade no mercado brasileiro. "Nossas propostas têm como objetivo estimular e aumentar a competitividade entre as empresas", diz Eloy Fernández, presidente da Onip, que liderou a reunião, realizada na terça-feira 6, na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro. A hesitação da ANP em mudar as regras dos leilões e a maneira como foi estabelecido o modelo de partilha, que confere à Petrobras a responsabilidade de ser operadora única nos blocos do pré-sal, com participação mínima de 30%, também inibem novos aportes.

Para Sá, da Bain & Company, a concentração dos blocos na estatal faz com que a diversidade de compradores seja menor, impedindo o Brasil de se tornar um player internacional. "Em países como Noruega e Malásia, o modelo de partilha entre companhias nacionais e internacionais incentiva a competitividade", diz. Para ele, com a revisão desses pontos, o Brasil pode transformar o setor de petróleo em uma nova indústria aeronáutica, que através de empresas como a Embraer, exporta produtos e conhecimento.

As entidades defendem também a criação de uma agenda de políticas públicas industriais focadas nas áreas mais promissoras de exploração de petróleo e a diminuição do gargalo entre fornecedores e operadores. O professor de Planejamento Energético da Coppe-UFRJ, Alexandre Szklo, explica que o ponto essencial para retomada do crescimento e dos investimentos é uma maior integração em toda a cadeia de petróleo, deixando o processo menos lento.

"Essa política gera competitividade e reforça a parceria entre operadores e a indústria de serviço brasileira", diz Szklo. Para ele, faz sentido privilegiar a Petrobras na operação do pré-sal, mas é preciso aperfeiçoar o modelo. A "Agenda Mínima", que será entregue nos próximos dias ao ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, é a esperança do setor para voltar a atrair investimentos. "Perdemos uma grande oportunidade quando colocamos o pé no freio do pré-sal", diz Fernando Marcato, da GO Associados.