Press release
Busca por valor imediato aparece em diferentes frentes:
- Questões financeiras preocupa 57% dos consumidores;
- Saúde preocupa 46% dos participantes;
- Uso de canetas emagrecedoras cresceu de 2% para 11% no último ano.
O relatório Consumer Pulse, realizado anualmente pela Bain & Company, acompanha a evolução dos hábitos de consumo e, a cada edição, identifica um perfil predominante. No Brasil, após o “consumidor equilibrista” de 2025 – que equilibrava cortes de gastos com a manutenção de prioridades – o estudo aponta agora para um consumidor mais imediatista, que busca soluções rápidas e benefícios tangíveis em diferentes aspectos da vida. Nesse contexto, quatro frentes se destacam: saúde, questões financeiras, comércio digital e programas de fidelidade.
O uso de ferramentas de inteligência artificial cresce rapidamente no Brasil e já faz parte do cotidiano da maioria da população. Hoje, 77% dos brasileiros afirmam já ter utilizado algum tipo de IA, ante 62% em 2025, segundo o relatório da Bain. Consumidores afirmam que estão dispostos a migrar mais da metade de suas compras para uma Assistente de Compra Virtual, principalmente nas etapas de descoberta, indicação de ofertas eprodutos e ajuda com preço e frete. Nesse contexto, a IA passa a funcionar também como um acelerador na jornada de consumo, permitindo decisões mais rápidas e alinhadas ao perfil de um consumidor cada vez mais imediatista.
Ao acompanhar a jornada de consumo, o relatório reforça que os hábitos de compra são híbridos, mas a preferência pelos canais físicos aparece em todas as categorias de produtos analisadas, com destaque para compras do dia a dia. Por outro lado, a aquisição de equipamentos eletrônicos e artigos de moda é a que ocorre com mais frequência nos canais digitais, segundo 48% e 39% dos consumidores, respectivamente.
A saúde, considerada extremamente importante por 46% dos consumidores, aparece como uma das principais prioridades dos brasileiros – com relevância superior à observada em mercados como Estados Unidos, Europa e Japão. Esse cuidado abrange aspectos físicos, mentais e de qualidade do sono, refletindo a busca por maior longevidade, peso saudável e boa condição física, em um contexto em que a obesidade segue em crescimento no país, atingindo cerca de 30% da população em 2025.
Nesta edição, o estudo da Bain também analisa a adoção de tratamentos com canetas emagrecedoras, que mostra um avanço expressivo: a parcela de consumidores que já utilizaram ou utilizam esse tipo de medicamento passou de 2–3% em 2025 para 11% em 2026, refletindo a crescente busca dos consumidores por soluções que apresentem resultado mais imediato no controle de peso e na saúde. Apesar do crescimento acelerado, a penetração ainda está abaixo de mercados mais maduros, como os Estados Unidos (15%), indicando espaço adicional de expansão. Esse crescimento tende a ser reforçado pela redução de preços com a expiração de patentes (semaglutida) e pela evolução das medicações — incluindo o desenvolvimento de versões orais, menos invasivas e com potencial de menos efeitos colaterais. Ao mesmo tempo, estudos indicam que parte dos usuários recupera peso após interromper o uso, o que pode impulsionar o surgimento de um mercado de manutenção, ainda com incertezas sobre os efeitos de longo prazo do uso contínuo.
Outra grande preocupação do brasileiro é a vida financeira (57%), especialmente para as mulheres (61%) e baixa renda (61%). Os consumidores também afirmam viver um momento de fragilidade econômica, com a maioria dos participantes (74%) relatando não consumir bens e serviços não essenciais, especialmente entre a renda baixa. Nesse cenário, o crédito ganha relevância, tornando-se uma ferramenta para gestão de gastos, especialmente em urgências de curto prazo (utilizado por 41% dos entrevistados). Apesar de evoluções recentes na oferta de produtos que ampliam o acesso a crédito, como o PIX crédito e reformulação do crédito consignado, parte dos consumidores brasileiros ainda relata ter dificuldade de acesso a crédito (18%), o que indica oportunidade de expansão da oferta.
O estudo apresenta ainda um recorte sobre como os brasileiros enxergam e usam os programas de fidelidade. Em alguns setores, essas plataformas de relacionamento se tornaram pilares de decisão de compra, evidenciando a valorização de benefícios concretos e de curto prazo na relação com as marcas. No varejo alimentar, 62% dos entrevistados afirmam que benefícios, descontos ou recompensas influenciam diretamente a escolha da marca ou do estabelecimento. Em serviços financeiros, essa percepção também é significativa: 57% dizem considerar programas desse tipo ao optar por bancos, cartões ou outras soluções.
De forma geral, os resultados indicam um consumidor mais ávido por soluções rápidas e tangíveis, seja ao cuidar da saúde, administrar o orçamento, pesquisar antes de comprar ou aproveitar benefícios oferecidos pelas empresas. Para as marcas, o desafio passa a ser demonstrar, de maneira clara, como seus produtos e serviços contribuem para melhorar o cotidiano das pessoas, em um cenário em que a utilidade percebida se torna cada vez mais determinante.