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O Brasil é o líder global em preferência por jogos do estilo Open Sandbox e Conteúdo Gerado pelo Usuário (UGC). Segundo o relatório Gaming Report 2026, da consultoria Bain & Company, 31% dos gamers brasileiros preferem plataformas abertas onde o público constrói e personaliza suas próprias experiências e mundos digitais. O país aparece no topo da lista mundial, à frente de mercados como Arábia Saudita (28%), Índia (27%), Estados Unidos (16%) e Japão (11%).
Esse protagonismo do público brasileiro em jogos abertos reflete o fim definitivo da ideia de um "jogador médio" no mercado global. O estudo, que ouviu mais de 5.300 gamers em todo o mundo, mostra uma audiência hiperfragmentada. Nenhuma categoria isolada de jogo consegue concentrar mais de 26% da preferência dos usuários. Além disso, dois terços dos jogadores querem apenas sequências ou títulos parecidos com os seus favoritos atuais, enquanto apenas 21% buscam algo genuinamente inédito.
Nesse cenário de gostos divididos, tentar criar produtos genéricos para agradar a todos tornou-se um erro estratégico que pode custar caro. O mercado global de games é projetado em US$ 209 bilhões para 2026, com crescimento moderado de 3% ao ano. Trata-se de uma indústria com uma receita concentrada. Apenas 20% dos jogadores mais engajados respondem por 59% de todas as horas jogadas no planeta.
A concentração financeira é ainda mais marcante: a fatia de 20% dos consumidores com maior gasto é responsável por cerca de 73% de todo o faturamento da indústria. Esse perfil de consumo é puxado fortemente pelas gerações mais jovens. Cerca de 86% dos adolescentes entre 13 e 17 anos realizam compras mensais com games, taxa que cai para 53% entre adultos na faixa dos 50 anos.
Para capturar valor com esse público altamente engajado, os estúdios estão migrando para a venda direta ao consumidor (Direct-to-Consumer). Para contornar as comissões de até 30% das lojas de aplicativos tradicionais, 74% dos 50 maiores jogos mobilem do mundo já operam lojas próprias na web, contra apenas 12% em 2019. Quase metade dos gamers mundiais (47%) já fez compras diretas com os desenvolvedores nos últimos 12 meses.
A busca por maior rentabilidade passa também pelo uso da Inteligência Artificial como ferramenta de gestão e personalização de ofertas. A pesquisa mostra que 59% dos jogadores jovens estão mais confortáveis com o uso de IA nos jogos do que no ano passado. Contudo, a Bain alerta que a tecnologia apenas acelera decisões: em uma análise de 100 títulos recentes, 83% dos jogos focados em nichos bem definidos obtiveram sucesso comercial, contra apenas 50% daqueles sem um público-alvo claro.
"O maior erro estratégico de um estúdio é tentar agradar todos os jogadores. A nova mentalidade deve estar centrada em definir qual nicho dominar, como gerar valor real para esse público e construir uma conexão duradoura com ele", afirma Luis Díez, sócio e líder da prática de Enterprise Technology da Bain & Company na América do Sul.