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A relação dos clientes com o aplicativo do banco está prestes a mudar de forma drástica. Um levantamento da Bain & Company aponta que as buscas financeiras feitas via IA saltaram 1.200%, e 40% dos clientes já usam ou usariam assistentes virtuais para gerenciar o próprio dinheiro, desde comparar taxas até escolher contas e investimentos.
O dilema para o setor bancário é estrutural: se antes o cliente entrava no aplicativo do seu banco para tomar uma decisão, agora ele pergunta para a IA.
Isso acende um alerta sobre desintermediação. Como uma camada adicional na jornada do cliente, a IA pode ampliar a comparação e a seleção de serviços em escala, elevando a competição e incentivando os bancos a diferenciar suas ofertas e aprofundar o relacionamento com os clientes.
O Brasil tem um ecossistema bancário mais digitalizado do que a maioria dos países desenvolvidos e o Open Finance mais avançado do mundo. Se a disputa antes era "banco tradicional vs. fintech", a nova corrida dos grandes bancos é para ajustar suas plataformas para não ficarem invisíveis para os robôs e assistentes autônomos de IA que tomarão decisões pelo cliente.
Diante desse risco, outro estudo recente da Bain & Company aponta que uma resposta para o setor pode ser a transição para o modelo de 'banco nativo em IA', combinando uma abordagem capaz de reduzir o tempo de lançamento de novos produtos em até 90% e multiplicar por 100 a capacidade de experimentação da instituição.
Para não virar uma infraestrutura invisível por trás dos assistentes de terceiros, os bancos precisam adaptar sua arquitetura digital para conversar direto com as IAs dos clientes, automatizar fluxos de ponta a ponta e estruturar dados legíveis para máquinas, usando a segurança e a governança como principal ativo competitivo contra as Big Techs.