Press release

Corrida da IA pode levar a US$ 6,5 trilhões em investimentos em data centers até 2030

Corrida da IA pode levar a US$ 6,5 trilhões em investimentos em data centers até 2030

Bain projeta quase 150 GW de nova capacidade computacional em cinco anos, enquanto energia, chips, mão de obra e licenciamento pressionam expansão da infraestrutura

  • outubro 02, 2026
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Corrida da IA pode levar a US$ 6,5 trilhões em investimentos em data centers até 2030

A economia da Inteligência Artificial vai precisar gerar US$ 6 trilhões em receitas anuais até 2031 para sustentar o ritmo atual de investimento em infraestrutura, mas os ganhos de produtividade previstos cobrem só uma parte disso, segundo o Technology Report 2026, da Bain & Company.

A lacuna é de aproximadamente US$ 4,2 trilhões, que terão de vir de novas fontes de valor, incluindo mercados e aplicações que hoje ainda estão em estágio inicial ou sequer existem.

Enquanto a indústria busca essas novas fontes de receita, uma corrida de proporções inéditas já ocorre na infraestrutura. A Bain projeta investimentos de aproximadamente US$ 5 trilhões a US$ 6,5 trilhões para construir quase 150 GW de nova capacidade computacional até 2030, quase triplicando a capacidade global em apenas cinco anos.

A escala dos data centers também aumenta rapidamente. Há cinco anos, uma instalação de 50 MW era considerada grande. Agora, estão sendo planejados campus 100 vezes maiores, com 5 GW ou mais, que podem custar entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões cada.

Entre as frentes com potencial de expansão estão sistemas autônomos, physical AI, busca e publicidade baseada em IA e aplicações em setores como saúde, materiais e pesquisa científica. A Bain estima potencial de aproximadamente US$ 400 bilhões para sistemas autônomos e US$ 900 bilhões para physical AI.

O desafio é que a expansão depende de recursos cuja oferta não cresce na mesma velocidade. Energia, hardware, mão de obra especializada, licenciamento e aprovação de projetos já estão sob pressão. O consumo global de eletricidade dos datacenters deve saltar de 388 TWh para 1288 TWh até 2030. Além disso, a conexão à rede já atrasa ou paralisa projetos, e adicionar nova capacidade à rede elétrica pode levar mais de quatro anos.

Apenas no primeiro semestre de 2026, entraves regulatórios e oposições locais atrasaram ou bloquearam 75 projetos, somando US$130 bilhões.  Nesse cenário, a disponibilidade de energia confiável e a velocidade para viabilizar novos projetos podem se tornar fatores determinantes para definir onde a próxima geração de infraestrutura digital será instalada.

A dimensão econômica da transformação também depende da capacidade das empresas de absorver a tecnologia. Segundo a Bain, organizações que avançaram de pilotos isolados para transformações estruturais registraram crescimento de 10% a 25% no EBITDA e ganhos de eficiência de dois dígitos.

“A economia da IA está entrando em uma fase em que infraestrutura e tecnologia passam a ser indissociáveis. O acesso à energia competitiva, capacidade computacional e conectividade será tão importante quanto o acesso aos próprios modelos. Para o Brasil, isso representa uma oportunidade relevante, mas capturá-la exige transformar vantagens estruturais em condições concretas para novos investimentos”, destaca Luis Díez, sócio e líder da prática de Enterprise Technology da Bain & Company na América do Sul.