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O mercado brasileiro de concentrados e isolados proteicos (whey protein) cresceu de US$ 165 milhões em 2021 para US$ 360 milhões em 2025, impulsionado por fundamentos estruturais de demanda. O dado consta em um estudo da consultoria Bain & Company que mapeou a dinâmica de oferta e demanda do setor.
Dentro desse avanço, o crescimento ocorreu em duas velocidades diferentes. O volume de vendas do WPC-80 (a proteína concentrada, que é a versão mais comum e acessível) cresceu a uma média de 9% ao ano. Já o WPI (a proteína isolada), que representa o segmento premium e de maior valor no mercado, cresceu mais de 20% ao ano no mesmo período.
Para os próximos cinco anos, a expectativa é de crescimento entre em torno de 7% ao ano em volume, sustentado por dois drivers estruturais.
O primeiro é o avanço do uso de GLP-1 (classe de medicamentos para perda de peso e diabetes) no Brasil. Hoje, 11% da população já usou ou usa essas medicações, segundo pesquisa da Bain. Pouco menos da metade de quem já usou, está ativo no momento. Este grupo responde por ~10% da demanda de whey, dado o consumo per capita acima da média desse grupo.
A expectativa para o mercado a partir de agora é que a queda de patentes, em março de 2026, reduza os preços dos produtos e amplie o acesso dos consumidores. Parte de quem interrompe o tratamento retoma peso e tende a recorrer novamente à medicação, criando ciclos de reuso que sustentam a demanda de forma recorrente.
O segundo drive é a preocupação crescente com saúde e longevidade, que se traduz em maior prática esportiva. Brasileiros que não usam GLP-1, mas estão engajados com atividade física respondem por 60% da demanda total de whey no país.
Um sinal de que o produto está se disseminando além do público tradicional de suplementação é a evolução dos formatos de consumo: o pó ainda domina, mas cresce a incorporação de proteína em produtos do cotidiano, como bebidas prontas, iogurtes e barras proteicas.
Do lado dos preços, o WPC-80 e o WPI acumularam alta de mais de 45% nos últimos três anos, reflexo do desequilíbrio entre demanda acelerada e oferta insuficiente. Caso as expansões de capacidade global anunciadas não se concretizem no ritmo esperado, esse patamar elevado de preços deve se manter.
No Brasil, a indústria está se movimentando. Com base nos planos anunciados, a capacidade de abastecimento do mercado pode crescer de até 2x nos próximos cinco anos, reduzindo a dependência de importações, que hoje respondem por cerca de 58% do abastecimento interno. Mesmo em um cenário de normalização de preços, a atratividade do setor permanece, dado o crescimento consistente de volume e a margem estruturalmente superior desses produtos em relação a outros derivados lácteos.
Sources: Analysis based on various sources, including Giract, other company, other company