Press release

Stablecoins crescem com foco em eficiência nos pagamentos internacionais, aponta Bain

Stablecoins crescem com foco em eficiência nos pagamentos internacionais, aponta Bain

Ativos impulsionam aplicações no sistema financeiro, mas a adoção depende de regulação

  • junho 17, 2026
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Stablecoins crescem com foco em eficiência nos pagamentos internacionais, aponta Bain

O uso de stablecoins – ativos digitais projetados para manter paridade com moedas tradicionais – tem acelerado nos últimos anos e começa a se consolidar como uma alternativa relevante para pagamentos internacionais, especialmente no ambiente corporativo. Segundo a Bain & Company, a oferta dessas moedas digitais aumentou de US$ 2 bilhões em 2019 para US$ 206 bilhões em 2025, refletindo sua rápida expansão e evolução para aplicações mais amplas. Já as transações com stablecoins dispararam 72% em 2025 e atingiram a marca de US$ 33 trilhões.

O avanço ocorre em um contexto em que sistemas tradicionais de pagamentos transfronteiriços enfrentam limitações estruturais importantes. Transferências internacionais ainda dependem de múltiplos intermediários, operam em janelas de liquidação prolongadas e apresentam custos elevados, além de baixa transparência ao longo do processo. Por outro lado, as stablecoins oferecem liquidação quase instantânea, redução significativa de custos e maior rastreabilidade das transações, atributos particularmente relevantes para operações B2B, nas quais previsibilidade e eficiência financeira são críticas.

Um dos pontos centrais do estudo é que as stablecoins introduzem novas possibilidades operacionais. A programabilidade desses ativos permite automatizar transações com base em condições predefinidas, o que pode transformar processos financeiros em cadeias de suprimentos globais, reduzindo fricções e riscos de execução. Esse aspecto tende a ganhar relevância à medida que empresas buscam maior integração entre operações financeiras e logísticas. A pesquisa da Bain aponta que o principal desafio dos CFOs na movimentação de capital está relacionado à complexidade das transações internacionais, apontado por 34% dos executivos.

 

Segundo Antonio Cerqueiro, partner da Bain, “há um movimento claro de aproximação das stablecoins com o sistema financeiro tradicional, impulsionado pela busca por mais eficiência e pela digitalização das operações. Com a disseminação do uso desses ativos, também aumenta o interesse das instituições em entender, na prática, onde fazem sentido”.

Apesar do potencial, a adoção corporativa ainda se encontra em estágio inicial. A consultoria aponta que mais de 50% dos CFOs têm conhecimento limitado sobre os ativos, enquanto somente 25% estudam essas aplicações em suas estratégias de pagamento ou têm projetos em andamento, seja no uso em funções como gestão de tesouraria, liquidação de pagamentos internacionais ou otimização de fluxos de caixa entre diferentes jurisdições.

Essa cautela reflete preocupações com riscos regulatórios, questões operacionais e a necessidade de integração com sistemas financeiros existentes. A ausência de padrões claros tem sido um dos principais entraves para adoção mais ampla no ambiente corporativo. Iniciativas regulatórias recentes começam a estabelecer diretrizes sobre reservas, transparência e conformidade, o que pode reduzir incertezas e aumentar a confiança de empresas e instituições financeiras. Esse processo é visto como fundamental para que as stablecoins deixem de ser uma solução complementar e passem a ocupar um papel mais central nos pagamentos globais.

O sócio da Bain & Company, André Mello, complementa: “O avanço das stablecoins já deixou de ser apenas uma tendência e começa a se materializar na estratégia dos principais players do setor, com emissores desenvolvendo moedas próprias, bandeiras ampliando o suporte a diferentes ativos e adquirentes testando novas formas de aceitação. Com um ambiente regulatório mais favorável e iniciativas concretas também no Brasil, a expectativa é de uma expansão acelerada nos próximos anos, com crescimento significativo no volume de ativos sob gestão”.

A tendência, segundo a consultoria, é de crescimento contínuo, impulsionado por ganhos claros de eficiência em comparação aos sistemas tradicionais. No segmento B2B, onde volumes são elevados e margens operacionais são sensíveis a custos e prazos, a adoção pode ganhar tração de forma mais acelerada ao longo do tempo. Ainda que a transição não seja imediata, os dados indicam que as stablecoins estão se posicionando como uma das principais inovações na modernização dos pagamentos internacionais, com potencial para redefinir práticas estabelecidas no comércio global.