Press release

O varejo entra na era da eficiência: mais produtividade, automação e novas formas de capturar valor

O varejo entra na era da eficiência: mais produtividade, automação e novas formas de capturar valor

Bain aponta oportunidades e desafios que podem reconfigurar o setor na próxima década

  • setembro 28, 2026
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O varejo entra na era da eficiência: mais produtividade, automação e novas formas de capturar valor

O varejo do futuro não será necessariamente maior — será mais produtivo, mais automatizado e exigirá adaptação dos modelos de negócio para maior captura de valor.

Essa é a conclusão de um novo estudo global da Bain & Company que identifica as grandes oportunidades e desafios que irão reconfigurar o setor. Depois de sucessivas ondas de transformação, o varejo entra em uma nova fase marcada pela inteligência artificial, com profundo impacto nas experiências dos clientes, hiperpersonalização, transparência dos preços e mudança do papel das lojas físicas.

Uma das transformações mais relevantes está na própria relação com o cliente. Com a popularização dos agentes de compras baseados em IA, o consumidor poderá pesquisar, comparar e concluir uma compra sem entrar no site ou no aplicativo do varejista. A disputa deixará de ser apenas pela fidelidade do consumidor e passará a ser pela recomendação do algoritmo. Essa mudança já começa a aparecer no comportamento do consumidor brasileiro — 58% já usam IA para encontrar ofertas e comparar preços, ante 44% dos consumidores nos Estados Unidos. E consumidores dizem que estariam dispostos a migrar cerca de 60% de suas compras online de supermercado para um assistente virtual.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial e a automação começam a redesenhar processos centrais das operações do varejo, incluindo precificação e promoções, merchandising, negociação com fornecedores, gestão de estoques, supply chain, atendimento e funções administrativas. Com operações mais simples e decisões automatizadas, as empresas poderão aumentar a produtividade das equipes administrativas e capturar um ganho de 1 a 2 pontos percentuais na margem operacional.

No Brasil essa transformação ainda está em estágio inicial. Segundo dados da Bain, 21% dos varejistas alimentares brasileiros usam IA em alguma etapa da operação ou gestão. Entre os que já adotam a tecnologia, 60% a utilizam em marketing, 48,1% em vendas e 37,7% na gestão administrativa — indicando um espaço relevante para avançar na automação das operações.

O footprint físico também entra em uma nova fase, em mercados mais maduros como Estados Unidos e Europa, algumas redes começam a rever o tamanho e a configuração de seus portfólios em busca de maior produtividade. Isso não significa que haverá uma retração generalizada do número de lojas: enquanto alguns mercados e formatos enfrentam excesso de capacidade, outros continuam expandindo. Mas a mudança não será apenas imobiliária. Os pontos que permanecerem terão de cumprir mais funções: experiência, conveniência, lazer, retirada de pedidos e distribuição. No Brasil, a expansão física das grandes redes também perde ritmo, com as adições líquidas em m2 de 11 das 20 maiores redes de supermercados caindo de 5% a.a. de 2016-19, e 10% a.a. de 2019-22, para 3% a.a. de 2022-25.

A próxima geração de líderes será formada por empresas capazes de combinar automação, dados proprietários, marcas próprias, um footprint físico mais eficiente e uma proposta de valor relevante mesmo quando a compra for mediada por um assistente de IA.