Bain uses cookies to improve functionality and performance of this site. More information can be found in our Privacy Policy. By continuing to browse this site, you consent to the use of cookies.

We have limited Portuguese content available. View Portuguese content.

Press release

Coronavírus pode derrubar vendas de veículos em mais de 20% na China em 2020

Coronavírus pode derrubar vendas de veículos em mais de 20% na China em 2020

Estudo da Bain & Company revela que fevereiro registrou queda de 80% nas vendas e fornecedores de peças já enfrentam prejuízos bilionários.

  • abril 01, 2020
  • min read

Press release

Coronavírus pode derrubar vendas de veículos em mais de 20% na China em 2020

O covid-19 está causando forte impacto em praticamente todos os setores. No ramo automotivo, o cenário não é diferente, e as vendas de veículos de passageiros na China já sofrem com baixas importantes. A Bain & Company avalia que, no cenário mais ameno, em 2020 a queda será 5% abaixo das expectativas pré-crise. No caso intermediário, o declínio poderá chegar a 10%, e os números alcançam 23% no pior cenário. 

Se não houver ressurgimento da pandemia na China, os choques de demanda provavelmente serão o maior desafio gerencial do setor. As ações prioritárias para as montadoras incluem melhorar sistematicamente a eficiência operacional, redefinir a estratégia de preços e avançar sobre as vendas on-line. 

Quando a sars atingiu a China em 2003, a epidemia não afetou a crescente indústria automobilística local. As montadoras expandiram seus negócios, construíram novas fábricas para aproveitar a transformação em curso na economia chinesa. O surto acabou por estimular a demanda de carros entre alguns passageiros que não queriam correr o risco de infecção pelo uso de transporte público. No geral, quase 2 milhões de carros foram vendidos em 2003, 75% acima de 2002. 

É muito cedo para prever como ou quando o surto de coronavírus de 2020 se resolverá na China, mas a Bain & Company prevê que a indústria automobilística não terá desempenho tão bom quanto o de quase duas décadas atrás. O covid-19 continua se espalhando mais amplamente que a sars, e faz isso em um cenário de crescimento econômico já em desaceleração. 

Além disso, anos de forte crescimento nas vendas significam que o mercado automotivo está muito mais maduro que na época da sars; em 2018, havia 183 carros em uso para cada mil adultos na China, ante apenas nove carros em 2003. O mercado chinês se tornou nos últimos anos uma importante fonte de vendas para a indústria automobilística global. 

O setor já enfrenta um choque de oferta de curto prazo na China. Quase 7% da produção de veículos leves da China está em Wuhan, a cidade onde o covid-19 foi identificado pela primeira vez. A produtividade foi prejudicada pela escassez de suprimentos de proteção, deficiências logísticas e outros fatores. De fato, alguns fornecedores modificaram as linhas de produção para fazer outros produtos, como máscaras protetoras. 

Apesar disso, a Bain & Company avalia que a demanda, e não a oferta, será o principal obstáculo à indústria automobilística na China nas próximas semanas e nos próximos meses. Se não houver ressurgimento da pandemia, a capacidade de produção deverá voltar ao normal nos próximos trimestres de 2020. Além disso, o estoque já existente na rede de vendas deve ser suficiente para cobrir entre 30 a 45 dias de vendas regulares. 

Como as vendas caíram para um nível abaixo do regular, é improvável que a falta de oferta seja um problema. As restrições impostas durante os estágios iniciais do surto já forçaram os consumidores a adiar as compras de carros, como mostra a queda de 80% nas vendas em fevereiro. Esse mês catastrófico representa muita receita perdida. 

A Bain & Company analisou detalhadamente três fornecedores de peças automotivas com forte presença na China, e calculou que a receita perdida apenas em fevereiro seria entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões. O impacto da liquidez em alguns fornecedores pode ser significativo, dado o espaço limitado que eles têm para cortar custos fixos, e é provável que leve algum tempo para que se recuperem completamente. Por exemplo, o lucro perdido pelos fornecedores analisados pode ser de cerca de US$ 3 bilhões somente em fevereiro.