Brief
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Estamos no terceiro trimestre, e você sabe o que isso significa. As equipes de liderança estão lançando processos anuais de planejamento e orçamento, muito cientes de que os planos para este ano foram por água abaixo por volta de março devido a vários fatores – desde desafios na cadeia de suprimentos até escassez de talentos, inflação ou a pandemia. Os últimos anos foram especialmente caóticos, mas sejamos francos, mesmo em tempos normais, a maioria dos processos de planejamento e orçamento são frustrantes. Eles começam cinco ou seis meses antes com promessas de transformações visionárias que rapidamente dão lugar a templates tediosos, projeções financeiras intermináveis, negociações exaustivas para definir metas e batalhas por recursos. Este ano, as empresas têm a rara oportunidade de realmente fazer uma pausa para repensar as coisas, com a recente turbulência exigindo uma abordagem mais Ágil. Três medidas se revelaram eficazes: 1. Mude o propósito do planejamento e do orçamento. A maioria dos sistemas de planejamento e orçamento é projetada para ajudar os executivos seniores a prever, comandar e controlar. Prever com precisão o que a empresa precisa fazer para obter tendências constantes e estáveis do lucro por ação (EPS). Comandar cada unidade e função individual para executar planos detalhados que, juntos, levarão aos resultados desejados. Feito isso, controlar rigorosamente as atividades dentro de cada silo para garantir que as pessoas executem os planos e entreguem os resultados necessários Como disse Luke Skywalker: Cada palavra do que você acabou de dizer está errada. Para começar, análises conduzidas pela Bain & Company e outros descobriram que as tendências previsíveis de EPS explicam menos de 1% dos retornos totais aos acionistas. Melhorar o desempenho (retorno sobre o capital investido e crescimento dos lucros), por outro lado, tem um impacto 35 vezes maior. Vale muito mais a pena planejar para um desempenho melhor do que para ganhos previsíveis. Em segundo lugar, o modelo de previsão, comando e controle é especialmente ineficaz em períodos de crises constantes e eventos de cisne negro como uma pandemia global, turbulências sociais, disrupções digitais, conflitos militares, ataques terroristas, choque financeiro e crise ambiental. Historicamente, dois terços das novas empresas de sucesso tiveram que abandonar seus planos estratégicos originais para lidar com condições de mercado imprevistas. Em um mundo de mudanças imprevisíveis e aceleradas, as projeções de longo prazo serão cada vez menos confiáveis e será mais perigoso comandar as pessoas para seguir planos equivocados. 2. Mude o foco da precisão financeira para o sucesso estratégico. Normalmente, nesta época do ano, quando começa a temporada de planejamento e orçamento, o diretor financeiro estabelece metas financeiras e diretrizes de gastos. Mais tarde, quando as submissões de orçamento começam a chegar, não é incomum que o total seja 20% mais alto. Nesse ponto, o diretor financeiro faz algumas análises financeiras para priorizar investimentos e fazer cortes dolorosos. Teoricamente, tudo se soma para gerar retornos impressionantes. Só que, na realidade, raramente é o caso. Uma abordagem melhor é transformar os resultados desejados estabelecidos na etapa um (acima) em diretrizes estratégicas de portfólio para orientar o processo de orçamento e adaptação. Essas diretrizes forçam discussões que alocam recursos estrategicamente para baixo ‒ em vez de alocar recursos para cima partindo de projetos individuais. Confira algumas questões que as diretrizes estratégicas de portfólio costumam levantar:
Quando os executivos organizam os investimentos individuais de acordo com essas classificações estratégicas e os somam, eles costumam descobrir padrões surpreendentes. Sua maior oportunidade de crescimento na verdade pode ser abrir mão de parte da participação de mercado e investir pouco em inovação. Noventa por cento do orçamento de tecnologia pode estar sendo destinado apenas para manter as luzes acesas e consertar sistemas legados. O investimento no canal on-line preferencial dos clientes mais importantes pode se revelar insuficiente. 3. Planeje mais rápido e com mais frequência. Se os orçamentos forem inflexíveis e uma projeção crucial não puder ser ajustada, é natural que a pessoa responsável por ela fique obcecada com sua precisão. Se deixados intocados, até os menores erros podem se agravar e se acumular com o tempo, impedindo a execução os planos. Mas, se pudermos ajustar uma projeção de longo prazo a cada trimestre, mês ou semana, poderemos melhorar continuamente sua precisão em muito menos tempo e com muito menos esforço. Definir objetivos ousados e desafiadores e depois ajustar os planos para incorporar valiosas lições aprendidas é a melhor maneira de melhorar. Vejamos, por exemplo, como a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) prevê e monitora grandes tempestades para salvar vidas. Todos os anos, a NOAA emite previsões direcionais para a próxima temporada de furacões ‒ de 1 de junho a 30 de novembro. O objetivo é ajudar cidades, empresas e serviços de emergência a se adiantar a cenários prováveis, preparar possíveis planos de ação e alocar recursos adequados. Este ano, a NOAA previu com 70% de confiança que a região americana do Atlântico terá 60% de chances de uma temporada de furacões acima do normal. A previsão é de um potencial de 14 a 20 tempestades conhecidas, 6 a 10 furacões e 3 a 5 grandes furacões. Para a maioria das empresas, o planejamento e o orçamento tradicionais trazem um grau confortável de certeza. Os gerentes gostam de saber o que se espera deles. Os CEOs gostam do controle que eles denotam. Não é fácil abrir mão disso. Mas precisão e exatidão são duas coisas diferentes, e planos flexíveis o suficiente para focar a empresa no que realmente cria valor mais do que valem o desconforto. |